17 setembro 2015

Mamãe de Primeira Viagem - Trigêmeos e Hospitais sem Leito

      O quadro Mamãe de Primeira Viagem nasceu para poder trazer experiências de mamães reais que a cada dia descobrem novidades, ganham experiências e que tornaram-se mamães de primeira viagem! Eu, Tanara, ainda não sou mãe, mas um dia serei e quero poder aprender junto com vocês através das experiências de outras mulheres.
     Os posts estão sendo realizados semanalmente, nas quintas-feiras. Como não depende só de mim procurarei o maior número de mamães possível e se você leu esta matéria, gostou da ideia e quer colaborar entre em contato comigo!


      Eu e meu marido nos casamos, e logo decidimos ter um bebê. Somos cristãos, pedimos direcionamento de Deus e Ele com sua benção nosso desejado presente. Assim que engravidei, fizemos o teste e fizemos nosso 1º ultrassom, naquela insegurança de estar grávida realmente, pois a primeira gestação as vezes acaba antes mesmo de ficarmos sabendo. Lá a médica ao começar me examinar e falou "Preciso falar uma coisa, mas está tudo bem". No segundo entre uma frase e outra milhões de coisas nos vieram a mente. Ela com lágrimas nos olhos nos disse que eram 3 bebês. Não dava para acreditar. 

      Ela continuou o exame, ouviu os 3 corações e mediu, e foi imensa a alegria em saber que tudo corria bem com nossos já 3 filhos. Os bebês foram fecundados naturalmente e fomos muito felizes com a gestação. Foram exames mensais, mais que numa gestação única. O médico fez uma intervenção cirúrgica chamada Cerclagem, que é costurar o colo do útero para ajudar a evitar parto prematuro. Eram 3 embriões em placenta separada, ou seja, não idênticos. O meu obstetra me orientou sobre a possibilidade de adiantar o parto, as 40 semanas seriam em 17 de março, e pretendiamos chegar ao fim de janeiro, começo de fevereiro.

      Curtimos cada pedacinho dessa curtinha gestação, foi mágico. Descobrimos com 12 semanas a possibilidade de 3 meninos, que se confirmou nas 16 semanas.Meu mundo ficou azul. Adiantamos todo enxoval, quartinho e chás de bebê. Graças a Deus fomos precavidos e deu tempo de preparar tudo, fazer nosso ensaio de fotos, tudo muito lindo.

    Com 24 semanas senti um desconforto e relatando ao meu obstetra ele me examinou e constatou que o colo estava baixo, me recomendou repouso absoluto e medicações para evitar contração. Foi assustador, pois com 24 semanas sabíamos que era muito cedo para um bebê nascer, para triplos então, nem dava para imaginar. Com 15 dias ele me examinou novamente e estava estável. Continuei o repouso. Só ficava deitada e sentada, não fazia nenhum esforço físico.

      Sabiamos que tudo estava no controle de Deus, então confiamos, sempre confiamos. Esperávamos que os bebês nascessem em fevereiro, numa cesárea agendada. Passei o Natal muito desconfortável, era muito calor em Santo André. Um dia após o Natal, eu estava muito incomodada, virava de uma lado e de outro no sofá, levantava, deitava, estava inquieta. anoiteceu e senti uma cólica suave. Observei e não passou, não era forte, mas não passou. Ligamos para o médico e ele nos orientou a passar no pronto atendimento, e caso fosse preciso ligar novamente pra ele. Eu imaginei que podia nascer, mas não tinha certeza, era cedo ainda. 

      Fomos asustados, mas meio preparados, para o hospital. Saímos de casa era 23:30 e no percurso de 20 minutos até o hospital a dor foi aumentando. Fui examinada e o médico nos informou que os bebês iam nascer, estava com 7 cm de dilatação. Era um misto de surpresa, alegria e medo. Foram consultar a disponibilidade de vagas na UTI neo, e para nossa surpresa não tinha vagas, estava cheio. Era o hospital que planejávamos ter os bebês, um hospital particular que atendia o nosso convênio. Então ligaram para o outro hospital da cidade e me transferiram, fui com o próprio médico no carro dele para lá.

      Enquanto meu marido fazia a ficha eu fui levada de cadeira de rodas para o pré-parto. Eram 2:30 da manhã e fui preparada na sala de pré parto, meu médico chegou, me examinou e então veio a surpresa: não tinha vagas para nenhum dos bebês. Houve um erro de alguém na comunicação e nessa altura eu não podia ser mais transferida, só iria ter unidade com UTI neo em São Paulo. Foi por Deus que nossos bebês sobreviveram. 

      A madrugada foi passando e o parto não podia ser feito sem leitos e equipamentos para os bebês, o médico foi falar com a diretoria do hospital e foram buscados aparelhos e incubadoras em outras unidades em São Paulo trazidos para nossos bebês. Às 6:30 da manhã eles nasceram, pequeninos, mas perfeitos. Pietro nasceu com 1.050g, Artur 1.185g e Isac 1.150g.

      Os três foram levados rapidamente para a uti neo. Fui para o quarto e às 18:30 poderia levantar e depois ver os bebês. Meu marido foi vê-los e falou que eram pequeninos, estavam com aparelhos e estavam bem. Eu não via a hora de ver meus bebês, a UTI é tão segura que não sai nenhuma informação de lá por terceiros, só os pais podem ter informação do seu bebê. Aguardei anciosa a hora de vê-los, mas tive muita dor e não consegui sair do quarto. 

      No outro dia de manhã ainda estava muito dolorida, mal conseguia ir ao banheiro. Chorei. de dor, de solidão sem meus bebês, de vazio de mãe, de insegurança por não estar perto deles. Eu queria ser mãe, estar perto, olhar, cheirar, tocar, sentir. Mas não podia. Meu leite veio, empedrou um pouquinho, tive que esvaziar no chuveiro. No dia 28, dia após o parto, consegui andar com muita dor os metros até a UTI neo, ajudada por meu marido. Me esterilizei com álcool, coloquei o avental e entrei com os olhos passando rapidamente pelos leitos a procura dos meus bebês. 

      Meu marido me mostrou os nossos, chorei. Muito. Eram tão magrinhos, tão pequenos, paradinhos, tomando soro, medicação, com oxigênio, oxímetro, venda nos olhos e tomando banho de luz na incubadora. Olhei, olhei, me apresentei pelo vidro aos meus filhos. Conhecemos a equipe de enfermeiras que nos ajudaram muito nessa estadia no hospital. Aprendemos muito com os médicos, fisioterapeutas, enfermeiras e técnicas. entre mamães e papais compartilhavamos nossos medos, alegrias, experiências. Fizemos amizades eternas. 

      O percurso que tinha pela frente eu nem podia imaginar. Não tinha idéia do que era um prematuro. Pedi ao médico para levá-los pra casa. E ele pacientemente me explicou que iamos conviver muito juntos e que isso era bom, que eles iam crescer e ficar fortes e poder ir para casa. Foram 62 dias. O dia mais triste para nós foi a passagem de ano de 2013 para 2014. Época de festa, tivemos alta no dia 29, e fui pra casa sem os bebês, com a mala da maternidade comigo e aquela sensação de ter o coração em outro lugar. 

      No dia 31 quisemos voltar ao hospital as 23 horas para desejar feliz ano novo pra eles, foi triste ir embora e comemorar a chegada do ano novo. Estávamos incompletos. Não tenho nehuma foto de ano novo, só pensava nos bebês. Fui ao hospital todos os dias, comecei a tirar leite e deixar para eles tomarem pela sonda. Abri mão dos remédios para dor para poder dar meu leite aos bebês. Passei muita dor, hoje nem lembro mais. Com uma semana consegui pegar meu filho no colo pela primeira vez, o Isac. Pedi ao médico para pegá-los e ele resolveu deixar fazermos o canguru com eles, que era pegá-los junto ao peito, pele a pele, por uma hora ou mais por dia. 

      Era maravilhoso senti-los, aquecê-los junto de mim. Foram 3 transfusões de sangue em cada um, muitos exames, muitas picadas, antibióticos, infecções do ambiente hospitalar, apnéias, orações e cânticos ao lado das incubadoras. Chegava no hospital as 7 da manhã e ia embora as 20 horas. O quartinho era tão frio sem os bebês, não dava vontade de entrar lá. Com 1 mês amamentei pela primeira vez, foi maravilhoso. Mamaram juntos Isac e Pietro. O Artur teve umas complicações e só pode mamar com 50 dias. Deus nos deu forças para passar por esse período difícil. Aos 62 dias de vida levamos nossos filhos para casa, os três juntos. Três pequenos, mas grandes guerreiros. Com 2 quilos. 

      Foi o dia mais feliz desde o nascimento, tê-los conosco, cuidar deles, Começou então uma nova jornada, difícil, mas mágica. Hoje eles têm 1 ano e 8 meses. Somos uma família muito feliz e abençoada por Deus!












Você tem experiências e quer compartilhar? Envie ela para tatashhormain@hotmail.com junto com uma foto, o nome e idade da mamãe e do bebê. Assim que receber o e-mail entrarei em contato imediatamente!



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